Espiritualidade x Religião

Não existe efeito sem causa e a apologética de São Tomás de Aquino elucidada a necessidade de uma causa incausável; um primeiro motor gerador do universo. 

O humano é um ser complexo e se caracteriza pela dualidade razão e emoção porém esquecemos do natural instinto primitivo e sua capacidade intuitiva, capaz de prever situações, mudanças e até mesmo sentir que há algo muito além do que a matéria aparente. 

Sensibilidade, instinto, razão ou pela intuição, sentimos e/ou acreditamos em algo superior, um Deus, um criador do universo e desde os primórdios foram criadas religiões (religare) com o intuito de religar o homem com Deus. As religiões assim se utilizam no geral de dogmas, rituais, sacramentos, leis, vestimentas, músicas, doutrina….tudo o que for necessário para criar uma condição de elevação do homem para com o demiurgo. A busca e esperança de um futuro melhor na Terra e no plano espiritual, o apelo em situações difíceis de saúde, financeiro, sentimento de gratidão…inúmeros são os motivos que impulsionam a crença e a fé. Crença é acreditar em algo, fé é capacidade de luz, são distintos. Nas provas da existência, geralmente os que possuem apenas crença abandonam a religião e seus valores enquanto os que possuem fé sabe suportar com mais firmeza por saber que faz parte dos desígnios de Deus, pois nada ocorre sem seu consentimento.

As religiões são instituições humanas e assim sendo passíveis de erros, porém possui imensa contribuição na criação de valores. Certamente a escolha é individual e deve se buscar a que melhor auxiliar sua transformação positivamente…no caminho da iluminação 

O que muitos não compreendem é que se as religiões são criações humanas a espiritualidade não o é. Cristo já afirmava que a casa de Deus pai tem várias moradas e não há espaço vazio na criação divina. A arrogância humana faz de homens deuses, incapazes e insensíveis (em grande maioria) de admitir que existe algo além da sua limitada razão, sentidos precários e instrumentação rudimentar como fonte de conhecimento, frutos do orgulho e o sentimento de Protágoras ainda ecoando nos corações humanos “O homem é a medida de todas as coisas”.

A espiritualidade É, não é questão de crenças ou opinião. Ocupam os grupos sérios que buscam aperfeiçoamento e possuem comprometimento com os que buscam na disciplina evoluir. Possuem outro corpo etéreo portanto invisível aos olhos mas perceptível aos mais sensíveis e médiuns religiosos ou não. Na dualidade de forças há também os que agem nas sombras estimulando o declínio no plano paralelo, tendo diversos nomes…e via de regra, nossos sentimentos, pensamentos, ações e aspirações são o fator determinante de nossas companhias humanas e espirituais – lei de atração, semelhante atrai semelhante. 

Se o ateísmo é a negação de um Deus criador, não podemos esquecer que a incredulidade é fruto de muitas dissonâncias cognitivas dos que se dizem religiosos e suas contradições. Quantos vestidos de suas crenças nas mais diversas religiões negam a verdade e a essência impondo pelo medo e cobiça a venda de um céu? Extorquem pessoas humildes muitas vezes na fragilidade da ignorância e simplismo prometendo mundos e fundos mas também ameaçando uma vida ainda mais degradante se não seguirem fielmente seus preceitos? Condenam no fogo eterno sendo que contraditoriamente a palavra divina emana amor e perdão, fugindo assim a essência divina. 

O ser humano é livre em seus pensamentos, no uso do livre-arbítrio são artífices do próprio destino semeando e colhendo cada semente plantada pelo coração. A imensa maioria escolhe o aprendizado na dor, busquemos poupar sofrimento evoluindo pela lei do amor. 

…Deus o abençoe e ilumine sua família!

Gratidão.

A música vai morrer?

A arte musical não é somente um passatempo, uma distração mas sim expressão do espírito. Incontáveis filósofos já se debruçaram para refletir sobre a beleza e o poder emanado pela música, capaz de transformar nossos ânimos, nos transportar em momentos de nossa história ou nos remeter a outras dimensões.

Em nossa cultura atual, observamos dia após dia a decadência se instaurar pelas ondas de rádio, televisão e através da internet. O feio se tornou “belo” e a beleza foge a cada dia mais de desgosto e tristeza. Onde estarão escondidos os poetas de nosso tempo?

O declínio de nossos valores, educação, cultura em geral, reflete a imensa maioria das ditas “musicas”atuais que apenas busca promover o que é mais vil e primitivo no ser humano: sexualidade desmedida, bebedeiras, uso de drogas ilícitas, desvalorização do ser humano, violência… expresso nas letras somados com o ritmo tosco e repetitivo, massivamente copiados compasso a compasso. 

A minha geração anos 80, teve a oportunidade de conhecer os clássicos, bossa nova, rock internacional de qualidade e formar uma referência musical.  Os grandes nomes da música nos inspirava a aprender música e tocar um instrumento musical, tendo inúmeros talentos de qualidade como referência. Porém em quem se inspirar atualmente? Em DJs? Em funkeiros que mau conseguem falar o português corretamente e cantam desafinados? Infelizmente há inúmeros exemplos em quase todos os estilos.

A conclusão sombria é o número de vendas de instrumentos musicais cairem em 80% nos últimos 5 anos. Lojas e escolas de música fecham por falta de público diariamente em nosso país por não valorizarem a arte e em consequência diversas marcas estão falindo! A própria Gibson anunciou que os negócios não vão bem e periga fechar suas portas, ou seja, o ocidente precisa repensar seus valores e arte. 

Acredito que só viraremos este jogo quando retomarmos o espaço cultural. Aulas sérias de música nas escolas públicas e privadas, buscando conhecer os clássicos de cada estilo, programa nas rádios e televisão discutindo músicas de qualidade, canais de youtube que queiram promover conteúdo de qualidade referente a música e os próprios músicos sérios serem mais ousados, divulgando e acreditando em suas músicas…e afirmo, música de qualidade não é questão de subjetividade.