O preço da ignorância

Existem certas situações que gravam em nossa alma indelevelmente, não é mesmo?

Venho de uma família de professores e recordo claramente ao assistir uma aula de ciências engendrada pelo meu pai apenas como espectador. Uma aluna afirmava insistentemente que era caro caderno, lápis, livros, caneta entre outros atributos necessários para os estudos. Depois de explicar com carinho e atenção a diferença entre preço e valor mas a mesma reagir com sarcasmo ele concluiu “caro é o preço da ignorância”. Nunca mais esqueci!!!!

Você tem dúvida de que tudo que vivemos atualmente em nosso país é fruto da ignorância? Ignorância por ausência de conhecimento e ignorância no sentido de ignorar os fatos.

Em meu ofício é visível observar pessoas que investem muitas vezes R$20.000 reais em equipamentos mas acha caro fazer um curso de música que promoverá as competências mínimas. Do que adianta ter uma Ferrari se não é habilitado para dirigir? 

A internet auxiliou na conexão entre as pessoas, produziu e fomenta toneladas e mais toneladas de matérias a respeito de todas as áreas do saber, porém como dividir informação, desinformação e conhecimento? Será que vale a pena poupar dinheiro neste quesito? 

Algo que me assusta ao mesmo tempo aparenta ser contraditório é a sede por diplomas e desprezo por conhecimento, esta é a realidade do Brasil. A quantidade de pessoas que apenas estão ocupando lugar em universidades e cursos técnico em geral mas somente para pegar um diploma é imensa. Incutido em nossa cultura, da importância de títulos como um passaporte para o futuro o foco torna-se o canudo e não absorver conhecimento e experiência. Não é difícil constatar que os bares pelas redondezas das universidades e colégios técnicos estão lotados de alunos em período letivo bebendo cerveja e fumando. Muitos respondem chamada rapidinho e correm para o bar… fora os que não perdem uma festa de república mas desconhecem o calendários de aulas e provas.

Hoje pagamos um preço muito alto pela ignorância. 

Erros médicos, pontes que desabam por cálculos e projeto mau feito, professores despreparados…entre tantos erros e equívocos que dariam várias laudas. 

Em suma, nos tempos de crise o mercado fica ainda mais seletivo escolhendo somente os profissionais de menor risco possível. Quem você acredita que será demitido, admitido ou promovido? Quem tem sede de conhecimento e eficiência ou os ávidos por diplomas que desprezam o conhecimento?

 

Visibilidade e relevância.

A cada década observamos mudanças intensas nas tecnologias, estruturas de comunicação e sociedade. O que antes era totalmente distante e inatingível, hoje é possível ter acesso rápido e direto, confortavelmente em seu smartphone através de sites de pesquisa como Google, Facebook, Twitter, Instagram, Linkedin ou um outro qualquer que pode estar sendo criado neste momento enquanto está lendo este texto.

Estas novas ferramentas não apenas mudou a forma que nos relacionamos mas também como fazemos negócios…nunca se deparou com links patrocinados nas redes sociais? Não ouviu falar de novas profissões como youtubers? Provavelmente poucos acreditariam a 30 anos atrás em tantas mudança.

No segmento musical, podemos ter um contato orgânico com artistas que apreciamos ou os que apreciam nosso trabalho, através destes novos meios. Atualmente é comum o próprio artista ser responsável por impulsionar boa parte ou total de sua campanha afim de conquistar o almejado espaço. 

Mas nem tudo é flores e deslumbramento, pois se por uma lado a democratização dos meios de comunicação auxilia e muito na divulgação, há os que fazem qualquer negócio por um espaço, por conseguinte mais inscritos: brigas, discussão sobre famosos, causadores de polêmicas, desafios bobocas até mesmo perigosos (pela própria integridade física)…um zoológico humano insano. Vale tudo, seguidores irreais no Instagram comprados em sites especializados em fraldes e o mesmo ocorre no youtube no qual muitos vivem das visualizações através da monetização do canal por investidores com propagandas. A cada dia fica mais patente que brasileiro faz qualquer coisa por dinheiro e/ou fama, são eternos esmoleiros. Experimente rolar no youtube os vídeos EM ALTA e terá a exemplificação.

Mas façamos uma reflexão sobre visibilidade e relevância. 

Ecoa em minha mente a frase bíblica “do que adianta ganhar o mundo e perder a si mesmo?”, na busca por fama e dinheiro, são produzidos gigas e mais gigas de vídeos desprovidos de valores, influenciando milhares de pessoas a equívocos, atitudes impertinentes ou simplesmente perder tempo. 

Há os que são patrocinados por empresas ou até mesmo partidos políticos afim de utilizar sua influência para conduzir o vulgo  a pensar pelo prisma que melhor convém seus apoiadores financeiros. 

Assim sendo, o que vale mais? Um vídeo com pouca visibilidade mas com qualidade em seu conteúdo ou um video que possui milhões de visualizações mas não agrega nada ou pior, subverte vossos valores? 

Quanto maior seu campo de influência maior será sua responsabilidade por tudo o que diz e incita.  Na briga por espaço, acredito que prezar por qualidade e valores elevados devem ser prioridade…a fama um dia acaba, mas nossas ações ecoam pela eternidade, sejamos responsáveis e conscientes.