Ocupação de espaço.

Todos nós estamos alocados neste planeta azul, situados em um específico continente, país, Estado e em fim cidade. Estamos sempre ocupando algum espaço na sociedade e a forma que nos posicionamos torna-se evidente o engajamento ou a nossa indiferença. Mas qual espaço quer ocupar?

Cada um em sua área de atuação tem suas próprias pretenções e objetivos. Tomamos como base para nos projetar os ditos cases de sucesso; irmãos de batalha que atingiram o cume de onde pretendemos chegar um dia, porém não pode ser uma obsessão nem fator desanimador. Aprendamos a admirar ao invés de invejar, ninguém ocupa todos os espaços por melhor que seja, pois humanamente temos limitações físicas, intelectual, espacial e temporal.

Sempre digo que há espaço para todos mas dificilmente para os incompetentes. Em tempos de crise inicia-se a seleção natural, tempos de oportunidade para uns, momento de queda e mudanças de alocação para outros…criatividade, competência, bom senso e aquela pitada de inteligência em administrar e visionar dá um toque final para os que aproveitam estes momentos ímpar.

Na arte musical vejo inúmeras comparações infrutíferas ao invés de um olhar que visa aprendizado. Observar o resultado mas acima de tudo os esforços e ações decisivas é agir com grandeza e inteligência, afinal o que estes fizeram para se projetar? Será que é possível utilizar receita semelhante no meu caso em particular? Imagine por exemplo que você só toca heavy metal, mas será que um artista de música sertaneja não pode lhe inspirar um novo paradgma no quesito marketing e network?

Ter seu próprio espaço e público é uma questão de sobrevivência mas conhece-lo é essencial para definir a sua linguagem visando comunicar claramente com o mesmo. Analise seu português, linguagem corporal, vestimenta, engajamento frente as questões na qual não há como ficar isento em cima do muro. Se não estiver claro talvez atinja um público que não almeja ou não o tenha.

Em fim, aprenda a admirar o trabalho dos outros, aprenda com quem faz melhor, se inspire, trabalhe duro, seja honesto, caprichoso(a) lembrando que o sucesso e o fracasso só depende de ti, questão de mérito; seu maior concorrente é você mesmo…coragem, assuma os riscos, mas acima de tudo seja consciente de suas ações e peça sempre ajuda quando necessário aos mais capacitados…a arrogância só leva a queda! 

 

O que é arte?

Desde a pré história, o homem primitivo deixa sua marca espiritual, evidente nas cavernas pela pintura arcaica – arte rupestre. Batalhas, animais, tribos, a luz solar…. e tantas outras percepções da realidade.

Podemos compreender arte como expressão do espírito humano, visando na estética uma linguagem capaz e com o intuito de expressar sentimentos, ideias e percepções do mundo ou metafísica. Vemos na arquitetura, desenho, escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema as principais áreas de atuação que muitas vezes se misturam, se embelezam e acrescentam sentidos variados. 

A arte possui duas vertentes: a arte utilitária e as belas artes. A primeira não possui um sentido estético como fundo principal. Copos, garfos, pratos são exemplos simples de arte utilitária, utilizamos cotidianamente com o intuito de facilitar nossa existência e nem nos damos conta que é arte. As belas artes difere do sentido prático/necessário; pois você não precisa de música, cinema ou outra expressão artística para viver, porém é o que colore nossa alma, nos instiga a sentimentos, reflexões, mudança de humor, estado físico e espiritual entre tantos outros fenômenos inefáveis que só a arte nos possibilita. 

Mas o que está acontecendo hoje?

Vejo discussões sobre o que é ou não arte ao depararmos com “peças de teatro” que não produz beleza e reflexão mas apenas crimes segundo nosso código penal. O surgimento de “músicas” na qual não há harmonia, melodias desafinadas e empobrecidas, rítmica e timbres industriais CONTROL C / CONTROL V, mas por “defenderem” algum aspecto político, gênero, “minorias” ou qualquer outra bobagem dada como argumento na tentativa de silenciar a crítica (já que não há o mínimo talento e conhecimento real artístico), assistimos paralisados e atônicos tudo que é pobre e feio assumir a cultura como um padrão. Brasil, patria que gestou Tom Jobim, Villa-Lobos (só para citar na música) e ver o abismo do nosso tempo….que tristeza. 

É notório observar que o mundo está perdendo suas referências estéticas. O feio, o triste, o que não enobrece a alma ganha cada vez mais espaço cultural enquanto o belo busca um espaço exprimido em poucos canais de comunicação. 

Acredito que nós artistas e consumidores de arte devemos mudar este panorama urgentemente para o bem da nossa civilização. O ponto central é distinguir belas artes do que é apenas grotesca expressão de mau gosto e mediocridade sustentada por grupos específicos com interesses escusos (não é teoria da conspiração). 

Em fim, sobre toda discussão contemporânea sobre o que é ou não arte simplifico: Estando exposto a uma expressão artística ela é capaz de nos transformar positivamente? Nos aproxima do criador? Nos faz refletir a condição humana/social? Nos traz a luz da verdade? Se preciso questionar-me se realmente se é arte, provavelmente não é arte ou é instrumento inegável de seres obtusos.