Mitos e verdades sobre aprendizado musical.

Comecei minha estrada na qualidade de professor em 1996 quando tinha apenas meus 16 anos. Mas certas perguntas (as vezes em forma de afirmações), ainda ecoam diariamente em minha direção: “Precisa nascer com o dom”, “tem que iniciar criança, se não esquece”, “aaaa é questão de genética”, “talento, ou nasce ou esquece”; além de perguntas subjetivas: Quanto tempo demora pra eu tocar muito bem?

Bom amigos, vos pergunto: Conhece alguém que nasce falando alguma língua? Português, inglês, alemão, francês…. ou outra qualquer? O aprendizado é longo e incessante, alias, não deslizamos até hoje na nossa língua portuguesa mesmo depois de tantos anos de fluência, seja falando ou escrevendo?

Existem pessoas que possuem naturalmente maior aptidão em determinadas áreas do saber, (tendo a música como exemplo), devemos lembrar que é um processo longo de alfabetização. Saber falar, ouvir, ler e escrever “música”, dura uma vida toda…somos sempre aprendizes, mesmo sendo professores. Quando me perguntam se é necessário dom, advirto que como disse acima, ninguém nasce falando uma língua, se aprende…assim também é na música; dom, só se for o da paciência, disciplina, humildade e perseverança.

No processo de aprendizado, as crianças levam vantagem por não conter pré-conceitos e vícios negativos/travas mentais (copo vazio), porém a facilidade de distração somado a preguiça da maioria emperra o desenvolvimento (os pais precisam auxiliar nisso). Os adolescentes e adultos possuem maior habilidade mental e condições de sinapse já que possuem memórias de aprendizado muito maior, porém muitos se amedrontam e desconfiam da própria capacidade (copo cheio). Quanto ao tempo de duração do ensino/aprendizado é impossível precisar, pois cada um possui naturalmente suas facilidades/aptidões e dificuldades – e como poderemos saber de antemão a dedicação desprendida diariamente para os estudos subjetivamente?

Em suma. Sem conversinha, historinhas e desculpinhas. Quer aprender música? Lembre-se do processo de alfabetização que mencionei: falar, ler, escrever e ouvir. Faça portanto um roteiro de estudos claro, buscando disciplina e eficiência… não acredite em milagres, atalhos, inatismo e sorte; trabalhe com objetivos e metas sensatas e os resultados virão. Procure um professor sério, instruído com boa metodologia e didática afim de auxiliar-te em sua longa caminhada.

Qualquer pessoa pode aprender uma nova língua, desde que esteja realmente disposta e engajada. Nunca é tarde para começar!!!!

Sucesso e reconhecimento

Nós brasileiros precisamos de uma boa dose socrática afim de conhecer os conceitos que permeiam nossa linguagem, por distorcer constantemente o significado das palavras. Um dos conceitos que acredito serem bastante pertinentes debater é a diferença entre sucesso e reconhecimento.

A melhor expressão encontrada no dicionário para o sucesso é êxito e prosperidade, enquanto a palavra reconhecimento (tomemos no sentido fama), notabilidade e reputação.

Pessoalmente afirmo ter experiências de sucesso em alguns setores, fracassos em outros e momentos de reconhecimento, seja por instituições e empresas, ou mesmo pelo público. Mas para o senso comum sucesso é fama, estrelato, estar constantemente na mídia, ser imitado ou invejado.

Obter sucesso é completar com êxito um determinado objetivo. Se formar em uma área, escrever um livro, compor uma música, conseguir o emprego que tanto almejava….isso é sucesso. Muitas vezes ninguém irá reconhecer isso, não sairá nos jornais, ninguém te dará um tapinhas nas costas… sempre foi entre você e seu íntimo. Imagine um médico após realizar uma cirurgia com risco de fatalidade e ser bem sucedido na operação salvando seu paciente; o que importa: O feito ou os aplausos?

Incontáveis são os desertores dos próprios sonhos, da carreira, por confundir estes conceitos. Sucesso não é “encher as burras” de dinheiro e ser reconhecido em todos os lugares… quem busca isso são as almas vaidosas que necessitam se auto-afirmar. Conheço pessoas de diversas áreas extremamente bem sucedidas e anônimas na multidão, realizando trabalhos incríveis que certamente mudam a sociedade para um nível superior e é isso que importa.

Em suma, respeite seu tempo, seus limites. Faça um planejamento e crie metas alcançáveis sendo disciplinado, aprendendo a comemorar as pequenas realizações do percurso e repensar derrotas recalculando a trajetória e estratégia…e o mais importante é você mesmo reconhecer seus feitos, o quanto evoluiu na jornada, pois a fama muitas vezes é forjada ou passageira e o que importa é a sua contribuição…a maioria desiste no começo, não se esqueça; portanto celebre suas vitórias!

Encerro com o brilhante e ímpar filósofo Aristóteles “O fim da vida não é receber honrarias, mas sim merece-las”.

Busque merece-las!