Como estudar

Tendo um equipamento básico e bem regulado, siga os tópicos.

Alongamento:

Nem todos os profissionais da área musical tem a consciência da grande importância dessa prática. O único instrumento musical feito para o ser humano é a voz, pois é inato, todos os outros necessitam de adaptação física.

O alongamento previne a L.E.R. (lesão por esforço repetitivo), usam essa denominação porque são várias doenças desencadeadas por pequenos traumas causados por esforços que são repetidos indefinidamente. Essas lesões podem ocasionar diversas inflamações na região do punho, dedos, tendões, epicondrios e nervos, que vão levar a estados conhecidos como tendinite, sinovites, e síndromes.

A dor que a L.E.R. ocasiona tem uma característica migratória, isto é, quando o quadro começa a piorar, a dor sai desse foco inicial (mão, pulso e antebraço) e atinge o cotovelo, o ombro e até o pescoço. É necessário sempre relaxar os ombros, braços, antebraços, mãos e dedos, pois esses membros têm como objetivo simplesmente conduzir energia e não produzir energia excessiva.

Sendo assim, é melhor prevenir-se, pois não existem remédios 100% satisfatórios para esses traumas, e não raro, abandonar a prática musical.

 

Acomode-se:

Ao estudar coloque-se de forma bem confortável, tomando muito cuidado com a coluna e com o pescoço, pois dependendo da sua postura (seja em pé ou sentado) poderá acarretar diversas dores e complicações desnecessárias. Utilize uma cadeira com encosto se for tocar sentado ou regule a correia para que o instrumento fique em uma altura adequada caso toque em pé.

 

Local:

O aspecto fundamental é o silêncio. TVs e Rádios ligados (por exemplo) servem apenas para desconcentrar, assim sendo, o estudo ficará disperso, consequentemente estudará errado.

 

Tempo:

Não existe um tempo padrão/fixo, pois cada estudante necessita de um tempo X para assimilar determinado conhecimento (isso tratando de qualquer disciplina).  Acredito que o iniciante deve estudar no mínimo 120 minutos por dia, lembrando que se o tempo de estudo de costume for bem inferior ao exposto, deve-se aumentar devagar a carga horária para não prejudicar tendões e articulações.

Lembre-se que o tempo de estudo dos músicos profissionais chegam a números bem superiores a este tempo predestinado e estudar música não é somente um estudo prático com o instrumento, mas também teórico, rítmico, harmônico, etc.

 

Andamento e nitidez:

Esteja sempre atento, compenetrado, tomando sempre cuidado com as posturas de ambas as mãos, procurando a nitidez das mensagens musicais. Existem exercícios e músicas com o andamento (a velocidade da música) muito superior do que você pode executar, portanto comece estudando devagar até aumentar gradativamente o andamento visando à nitidez. Lembre-se, não se pode correr se não se sabe andar,

 

O que estudar:

Dose seu exercício diário em partes: teoria, harmonia, exercícios técnicos, ritmo, improvisação… dando maior ênfase nos tópico que apresentam maior dificuldade, pois esses necessitam maior atenção para atingir a suposta perfeição.

Vivendo de música

Viver de música no Brasil é tarefa árdua, pois esta sublime arte não é vista (na maioria das vezes) com a sua devida importância, diluindo seu valor. Via de regra, fazem sucesso músicos desprovidos de amplo conhecimento musical, sem compreender a extensão, contribuição e influências de suas obras em nossa sociedade.

Infelizmente, a genialidade de nossa música é desconhecida pelo vulgo, devido à necessidade de dinheiro para custear e propagandear tal arte. O que nos deparamos constantemente pelas rádios e televisão é um conglomerado de obras ruins e inexpressivas que o tempo há certamente de reduzi-las ao esquecimento.

São demasiadamente amplos os caminhos que um músico pode trilhar para viver da arte musical. As possibilidades mais comuns é trabalhar com composição, arranjos, educação, shows, freelancer, intérprete, produtor, endorse, palestrante, workshop, músico terapeuta, pesquisador, luthie, crítico de arte… mas será extremamente difícil alguém estar preparado para atuar em tantas vertentes. Assim sendo, é muito comum vermos diversos músicos atuando em algumas áreas erradamente, devido à falta de preparo.

Exemplificando: Já imaginou ter aulas de música com alguém que nunca estudou psicologia, metodologia, teoria do conhecimento, didática e ao menos teve um aprendizado mais formalizado? Este será o típico professor que busca dar grosseiras “aulinhas” para complementar a renda, sem se preocupar e respeitar o mais nobre ofício da sociedade, POIS SEM EDUCADORES, uma nação toda se bestializa em pouquíssimos anos.

Infelizmente a maioria dos músicos não lêem, não contemplam  outras artes e o que é pior, muitas vezes se acham acima dos outros, seres alienados que utilizam a arte como alto  afirmação – lamentável.

Algumas dicas que acredito ser preciosas para o aspirante de música:

a) Ouça e toque estilos musicais diversos. Entre eles existirão nítidas distinções timbrísticas, rítmicas, harmônicas, no fraseado melódico e na poesia (letra). A linguagem é a soma de todos estes elementos. Alguns estilos serão mais apreciados devido ao gosto preconcebido, mas quanto maior for sua cultura musical maior será a sua linguagem para interpretar e compor.

b) Para se alcançar um grande objetivo é necessário elaborar metas. Seja organizado, dedique-se a leitura musical, filosófica, entre outras; pois é necessário formular e reformular conceitos musicais e existenciais, pois você toca o que você é, e infelizmente muitos não sabem ao menos o que são; elucidando o porquê de obras tão sem fundamento.

c) Não perca seu precioso tempo. Do que adianta você montar uma banda com pessoas displicentes que não buscam aprender, não levam a sério e nem gostam de ensaiar? Dê preferência para pessoas com o mesmo nível musical que você e que visem os mesmos objetivos sempre buscando evoluir musicalmente.

d) Busque sempre aperfeiçoar, seja com professores capacitados, boas leituras, vídeo aulas, workshops… Dedicar-se aos estudos é o caminho mais seguro e veloz para quem busca a virtude. Mas advirto: não existem atalhos, terá que percorrer degrau por degrau nos caminhos da evolução.

e) Se pretende gravar um CD pesquise muito, porque cada estúdio vai lhe oferecer um preço diferente devido à estrutura. Procure escolher um estúdio que concluí trabalhos do mesmo estilo que o seu, pela experiência e hábito o resultado deverá ser mais satisfatório. Calcule antes os custos para não faltar dinheiro na hora H e planeje como comercializar o seu trabalho anteriormente (de preferência), pois será muito frustrante ter uma pilha de caixas de CD estocado em sua casa.

f) Amplie seus contatos. Bandas, escolas de música, shows e workshops engendram uma atmosfera muito produtiva para quem quer enriquecer culturalmente e ganhar preciosas informações, daí pode surgir grandes oportunidades.

E acima de tudo tenha fé em Deus e em si mesmo. Busque a humildade sempre, pois esta é a mãe das virtudes; alguém que não busca evoluir internamente certamente não poderá exteriorizar nada elevado.

Dicas de Equipamentos

Conhecimento e musicalidade são o que realmente difere os músicos e não meramente o seu equipamento.

 

Amplificador:

o preço varia conforme marca, potência e recursos que cada um deles oferece. Recomendo aqueles que possuem reverb e distorção que são efeitos primordiais, desta forma não haverá a preocupação imediata em comprar acessórios (pedais/pedaleiras) para obter tais sonoridades em sua guitarra.

Existem três tipos de amplificadores: valvulados, híbridos e transistorizados.

É bom lembrar que os amplificadores valvulados possuem um som mais claro/definido que os transistorizados, mas necessita de maior manutenção e seu custo é muito elevado; portanto não aconselho adquiri-lo apenas para estudo, desta forma, a vantagem dos transistorizados acaba sendo o custo benefício. Os amplificadores híbridos possuem válvulas e transistores.

Para estudo um amplificador de 15W RMS (transistorizado) é o suficiente, se no caso for para ensaiar com uma banda aconselho um amplificador com potência superior, a partir de 30W RMS.

Cabos: Compre cabos de boa qualidade, pois será muito desagradável você ter um bom set, mas apresentando perdas de sinal e chiados.

O preço varia conforme a marca, modelo e tamanho. Adquira cabos que tenham um bom revestimento e com plugs de boa qualidade, pois o barato sairá caro. É bom ressaltar que quanto maior o cabo maior a perda de sinal, ou seja, se 3 metros de cabo sana suas necessidades, será desnecessário comprar metragem superior.

 

Guitarra:

Existem também vários modelos e marcas. Alguns modelos muito utilizados são: Les Paul, Stratocaster, Acústicas e Telecaster; a escolha é subjetiva, porém alguns estilos de música “funcionam” melhor com determinados tipos de guitarra devido a timbre, tipo de ponte, curvatura do braço etc. Já imaginou um guitarrista de heavy metal tocando com guitarras acústicas? É uma visão tão destoante como tocar Jazz com uma Flyng V com ponte floyd rose.

Advertências na hora da compra – Se a guitarra escolhida for com ponte Floyd Rose, não compre de uma marca com padrão razoável, pois ela lhe dará problemas de afinação e regulagem devido ao mau funcionamento da mesma.

Quando se interessar numa guitarra toque-a antes de fechar negócio, veja se o braço é confortável para sua maneira de tocar, se os sons dos captadores proporcionam os timbres desejados, verifique também trastes, pestana, tarraxas, madeira (braço e corpo) se são e estão em boa qualidade.

Peça para ele verificar se a ponte está com as oitavas reguladas e analisar se a guitarra está empenada (ação de cordas altas ou quando as cordas estão tão juntas ao traste que o som saia trastejado). Através do tensor (tubo de aço localizado no interior do braço para regulagem de diferentes tensões de corda ou empenamento), este problema poderá ser sanado.

Lembre-se, a guitarra vem com uma regulagem padrão de fábrica (altura e tensão da corda, captadores…), tal qual poderá ser mudada conforme as suas necessidades.

 

Violão:

Quando for comprá-lo veja se o violão está empenado; procure verificar se os trastes, pestanas e tarraxas estão em boa condição, qual a madeira utilizada para a fabricação do mesmo, e se esse possui um tensor.

Lembre-se que existem violões que comportam cordas de nylon e outros de aço (o timbre é bem distinto). Tentar colocar uma corda de aço em um violão de nylon corre o risco de arrebentar o cavalete devido à maior tensão.

 

Cordas:

O encordoamento também é algo muito pessoal. Cada encordoamento possui um timbre, uma duração e um preço díspar; lembrem-se, as marcas tem opções de diferentes tensões: 08, 09, 010… dependendo da tensão das cordas escolhida será necessário regular o tensor e a ponte da sua guitarra para ajustar perfeitamente, ocorrendo o mesmo com o violão.

Cordas de maior tensão produzem um som mais encorpado e tendem a durar mais, porém há maior esforço dos dedos para realizar os acordes e melodias.

 

Efeitos:

Pedais, pedaleiras e processadores de efeitos são aparelhos eletrônicos que mudam a sonoridade da guitarra, simulando distorções, ecos, reverberações, duetos… existe uma pluralidade de efeitos e marcas sendo comum uma mesma marca possuir dezenas de modelos diferentes do mesmo efeito (um bom exemplo são os pedais de distorção).

A grande vantagem dos pedais é o controle das nuances mais facilmente, além de poder acionar ou desligá-los no momento desejado sem perdas de sinal. A meu ver o timbre dos pedais possui mais vida e autenticidade do que as pedaleiras, que produzem um som muito artificial “matando” a sonoridade da guitarra e do amplificador.

A escolha do equipamento é extremamente particular, portanto o músico escolhe determinado equipamento devido aos recursos e timbres que lhe possibilite interpretar e compor as músicas que almeja.

Técnica e estética

Quantas notas você toca por segundo?

Infelizmente é uma pergunta frequente no meio musical principalmente pelos guitarristas aspirantes.

Me assusta quando certas incoerências conceituais persistem ao longo de décadas… e assim vemos a cada dia músicos mais preocupados em impressionar visualmente que sonoramente.

Onde está a dinâmica, rítmica, fraseologia, desenvolvimento?

Não devemos observar a música somente pelo prisma da guitarra. Vejamos os instrumentos que participam da obra assim como a harmonia e os climas ignorados por estes… busquemos fugir do clichê de colocar o máximo de notas no mesmo compasso acrescidos geralmente do efeito awa e delay embolando o som.

A estética é o estudo do belo; mas infelizmente a maioria dos guitarristas estão mais preocupados com a vaidade que o conteúdo; prolixos e incoerentes, desconhecem ou ignoram que as melodias são como frases de um texto, porém poucos tem o hábito literário e assim fica difícil dialogar com os mesmos.

Em suma, para aqueles que buscam evoluir na música é essencial ouvir diversos artistas e estilos afim de buscar novos caminhos. Estudar harmonia, ritmo, teoria, leitura, percepção é essencial e não apenas escalas e técnicas, pois do que adiantará competência para tocar 20 notas por segundo se o bom gosto se ausentar ou simplesmente desconhecer qual deve ser tocada em determinado acorde?

Autenticidade – seja você mesmo

Inspirar-se em grandes nomes da música é normal e não deve se recear.

Somos influenciados pelo que ouvimos insistentemente.  Na qualidade de músicos, buscamos acompanhar a trajetória de nossas referências e tentamos obter os mesmos supostos equipamentos, timbres, copiar as mesmas frases musicais… e quando damos conta, onde está a autenticidade?

 

Conhecer a si mesmo (como já dizia o filósofo Sócrates no Séc V a.C), é essencial. Quem somos e como conseguiremos nos expressar verdadeiramente?

 

No meio de tantos músicos, raro é aquele que conhece a si, busca seus timbres, suas frases, sua forma particular de tocar e acima de tudo DIVERTIR-SE. Creio que muitos acabam esquecendo o quanto é prazeroso tocar sem a neurose de querer ser o que não somos ou enveredar-se por comparações infrutíferas.

 

Há espaço pra todos… exceto para as cópias, sugiro que reflita a respeito. Qualquer caminho é válido quando não se sabe onde se quer chegar e esta é a grande armadilha. Ansiedade é um mau por si, não respeitando o tempo de aprendizado e/ou limites físicos e mentais.

 

Tenha paciência, disciplina e  acima de tudo prazer em tocar, pois se não houver diversão é indício que algo está errado… a música vem do interior e não o contrário; você está ouvindo as melodias que pulsam em vosso coração e mente ou está preocupado de mais em impressionar ou querer ser um outro alguém?

Filosofando: Mais que simples ideias, uma nova visão de mundo

Dividindo pensamentos, experiências e reflexões

Com a filosofia de aproveitar o tempo com um bom café e sentindo a brisa do campo, junte-se a Fernando para reavaliar as diversas visões sobre os mais variados temas.

Filosofia (do grego amigo da sabedoria ou amor pelo saber) é o estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. Entre seus métodos, estão a argumentação lógica, a análise conceptual, as experiências de pensamento e outros métodos a priori. A Filosofia é o saber mais abrangente. A partir dela, são fundamentados e desenvolvidos os projetos educacionais e as pesquisas, bem como embasa-se, inclusive, a consultoria a instituições científicas, artísticas e culturais. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre)

Filósofo é um indivíduo que busca o conhecimento de si mesmo, sem uma visão pragmática, movido pela curiosidade e sobre os fundamentos da realidade sendo que a filosofia é intrínseca à condição humana, não é um conhecimento, mas uma atitude natural do homem em relação ao universo e seu próprio ser.